segunda-feira, 13 de julho de 2026

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Criação de unidades de saúde multissetoriais no ACES Almada-Seixal visa «intervenção concertada»

Publicado em 22 de julho de 2020 - 17:02

No Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) Almada-Seixal existem, "à semelhança do que sucede noutros locais, três áreas de intervenção prioritária na população e que se prendem com a promoção da saúde mental, a prevenção da obesidade infantil e intervenção dirigida às populações migrantes", afirma Alexandre Tomás, que assumiu a direção executiva deste ACES em junho do ano passado.  

Na sua opinião, "embora deem o seu contributo, não é com os modelos de unidades de saúde familiar (USF) e de unidades de cuidados de saúde personalizados (UCSP) que conseguimos encontrar respostas para essas três questões, obrigando a inter-relacionar inovação organizacional com formação e investigação e ainda a procurar uma melhor relação entre as várias unidades funcionais.”

Esta procura na implementação de novas soluções tem norteado Alexandre Tomás, e a equipa que lidera, desde o início do seu mandato. Ao invés de ser um obstáculo, a pandemia por covid-19 veio mesmo reforçar esta vontade de ir ao encontro da comunidade, procurando potenciar aquilo que o responsável considera ser o "ponto forte" deste ACES, como resultado do bom trabalho desenvolvido nos últimos anos. 

Alexandre Tomás refere-se à "relação extraordinária que existe com os vários parceiros", nomeadamente, a Segurança Social, a Proteção Civil, as escolas, as instituições da comunidade, as forças de segurança e, claro, os dois municípios, com o particular envolvimento da Saúde Pública, “que se evidenciou neste contexto de pandemia”. 

E conclui: “É um bom exemplo de ação intersetorial, em que temos diferentes atores com perspetivas próprias sobre o mesmo problema, assumindo decisões confortáveis para todas as organizações, para bem da população, à qual todos prestamos um serviço público.”

População essa que tem um perfil muito urbano no concelho de Almada e mais rural no concelho do Seixal, bastante envelhecida no centro das duas cidades, mas com muita gente jovem, ativa, que trabalha em Lisboa, mas reside nos arredores da capital. Há ainda uma outra característica dos habitantes desta região que merece destaque:

“Temos uma população migrante muito substantiva, que exige uma capacidade de olhar específico, singular. As pessoas têm características diferentes, não só em relação ao seu perfil epidemiológico, mas também quanto à regularidade de acesso aos cuidados de saúde, que usam de forma atípica."

Desta forma, considera que tem de haver "uma enorme capacidade de organização das nossas equipas que permita uma resposta à tipologia de procura que se verifica", dando um exemplo: "Acompanhar a população feminina grávida obriga a uma intervenção na comunidade e em proximidade, recorrendo à colaboração de líderes comunitários.”

"A Saúde Pública tem sido um elemento estruturante"

Nesta visão estratégica de Alexandre Tomás para o ACES Almada-Seixal, "a Saúde Pública tem um valor superlativo naquilo que é a identificação das prioridades da nossa comunidade e também no que devem ser as principais atividades e estratégias para responder a essas necessidades da população", afirma Alexandre Tomás, desenvolvendo a ideia: 

"Não a vejo como uma mera unidade funcional, nem me consigo imaginar a desempenhar o meu papel sem ter uma ligação absolutamente umbilical com a USP e com a sua coordenadora."

E, especificamente quanto à pandemia, "a Saúde Pública tem sido, de facto, um elemento estruturante”, frisa, lembrando que, quando a covid-19 surge, “as USP do país estavam praticamente todas subdimensionadas, com poucos profissionais”. O diretor do ACES Almada-Seixal tratou, aliás, de reforçar a sua, admitindo que, “na fase inicial, foi complexo responder a todas as solicitações, mas hoje, felizmente, temos a nossa USP em ‘velocidade de cruzeiro’.

Unidades de saúde multissetoriais

Alexandre Tomás afirma ser “indiscutível que nos últimos 20 anos melhorámos muito a resposta em cuidados de saúde primários”, reconhece que “a acessibilidade é genericamente muito superior” e que isso aconteceu na sequência da reorganização dos CSP, sobretudo com a criação e desenvolvimento das USF, mas também tem a certeza de que “esse modelo de reorganização chegou a um limite de crescimento”.


E justifica a sua afirmação com o exemplo do que se passa no ACES Almada-Seixal, onde ainda existem 4 UCSP, ou seja, “em números redondos, temos cerca de 35 mil utentes sem equipa de família atribuída; ora, estarmos a pensar que no curto prazo vamos ter 4 ou 5 novas USF é um mito”. O raciocínio é simples:

“Temos uma geração de médicos com mais de 64 anos, muito robusta, quer em termos das suas competências, quer do vasto trabalho que desenvolveram de valorização e reconhecimento dos CSP. Esta geração, num horizonte de 4 ou 5 anos estará em condições de se aposentar. E há aqui uma lógica de renovação geracional que vai acontecer, com os novos profissionais, tendencialmente, a integrar as unidades já existentes.”

“É preciso encontrar outras formas de organizar as nossas equipas que correspondam às capacidades dos profissionais mas também às necessidades da comunidade. Gostaria muito que, a prazo, o nosso Agrupamento fosse reconhecido como um ACES promotor da inovação organizacional e que pudéssemos ensaiar várias formas de responder à população. Tenho dito isso aos profissionais e apoiarei os projetos que nos apresentem nessa dinâmica de inovação”, garante Alexandre Tomás.

Na sua opinião, para que tal aconteça, será preciso “sair da caixa”, ou seja, “é necessário usarmos todos os recursos existentes na comunidade em prol da própria comunidade”.

"Soluções ajustadas à singularidade das comunidades"


Isso quer dizer que a solução passará, por exemplo, pela “criação de unidades de saúde multissetoriais, com profissionais de saúde e também de outros setores”. “Alguém poderá concordar que consigamos entrar e interagir numa comunidade específica, com particularidades próprias, permitindo a intervenção de um setor de cada vez? Hoje a Segurança Social, amanhã a Educação, depois a Saúde… Faz sentido, sim, que haja uma intervenção concertada, que garanta melhores condições de vida àquelas pessoas”, considera Alexandre Tomás, prosseguindo:

“Isto não é estigmatizar, não é segregar, é pensarmos soluções ajustadas à singularidade das comunidades. Normalmente, o sistema pensa no igual para todos, no cidadão padrão, e isso não existe. Claro que não conseguimos hiper-personalizar, constituir uma equipa para cada agregado familiar, mas temos que passar de uma ‘malha larga’, USF ou UCSP, para unidades de intervenção local e multissetoriais.”

Ainda no campo da inovação organizacional, o diretor executivo do ACES Almada-Seixal equaciona a lógica do médico + enfermeiro + secretário clínico, segundo o modelo atual aplicado ao funcionamento das unidades (USF e UCSP). A pergunta surge logo de seguida: 


“E o nutricionista, o psicólogo, o técnico de serviço social, o higienista oral, o terapeuta da fala? Porque as famílias também precisam desses recursos. Nós, felizmente, temo-los, na nossa URAP, mas, em bom rigor, não integram as equipas de saúde familiar. Não deveria haver uma intersecção muito maior entre estes profissionais e as USF e UCSP? Eu entendo que sim, mas também devíamos ter mais desses recursos e não temos!”


A inovação organizacional também deverá contemplar, segundo Alexandre Tomás, aspetos aparentemente menos importantes. Como este: “Quando estamos a querer que os ACES tenham uma capacidade de intervenção e mais autonomia, necessitamos de ter condições internas para reter os bons profissionais ‘não clínicos’."

Contudo, sublinha o responsável, "nós não temos, por exemplo, qualquer forma de valorizar um colaborador de uma UAG e impedir que, sendo um técnico qualificado, aceite o convite para assumir funções de administrador hospitalar, ou venha a integrar uma USF de modelo B, até porque, em ambas as situações, vai ter um interessante atrativo remuneratório.”


O valor superlativo do arquipélago...

Se a promoção da inovação organizacional é algo em que Alexandre Tomás quer investir no seu próprio ACES, a aposta na formação e na investigação aparece logo a seguir na lista de prioridades, até porque a primeira tem que estar também associada à segunda. Isto para permitir, nomeadamente, obter informação e ter dados concretos sobre os resultados conseguidos com a intervenção em determinada comunidade. E adianta:

“Já desenvolvemos contactos com a Academia, para que possam também olhar para nós como um ACES interessado em fazer esse trabalho. Mais uma vez, na perspetiva de procurarmos soluções, que elas tenham evidência nos resultados e que possamos dizer aos outros: ‘Estamos a fazer assim, se fizer sentido replicar, repliquem!’”

A terceira prioridade identificada por Alexandre Tomás é aquilo que classifica como sendo “um desafio para dentro do ACES”. No seu entender, as unidades que integram um agrupamento não podem pensar e agir como se fossem ilhas no meio de um oceano.

E a mensagem já foi transmitida a todos os coordenadores, tal e qual desta forma: “Temos que fazer um esforço para que, admitindo que possam pensar que são ilhas, pelo menos, tenham a noção de que são ilhas de um arquipélago. E que esse arquipélago tem um valor superlativo a cada uma das ilhas.”

“Temos que ter, dentro do nosso ACES, muito mais capacidade de ação articulada, de interação entre as várias unidades funcionais – USF, UCSP, UCC, URAP, USP... – e de responder de forma concertada às necessidades da população. A ilha tem que ter noção de que está dentro de um arquipélago, portanto, a outra ilha ali ao lado pode ser um bom recurso, mas também pode precisar de apoio. E nós temos que ter essa capacidade de interação, que nalguns casos é muito difícil de conseguir”, admite, acrescentando:


“Não deixa de ser interessante que, no contexto de pandemia, tenha sido possível ver unidades articularem-se para uma questão tão simples como fazer orientação dos utentes à porta do edifício que ocupam. E fizeram-no bem!”

E, para Alexandre Tomás, “há que voltar a assumir que a estrutura do centro de saúde existe. Com uma dinâmica organizacional em unidades funcionais flexíveis, mais pequenas? Sim, faz todo o sentido, mas a figura do CS existe. Temos que revisitar esse conceito identitário”.


quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Pequenos momentos

 Vivo a vida com paixão…

de pequenos momentos que… de tão simples que são… por vezes já não são…

vão…

voam…

Esvoaçam no céu em luz de entardecer… com esperança de impossível repetição…

 

Pequenos momentos… que de tão simples o são…

não em vão… com apenas um senão… pequenos e efémeros …

talvez porque são a razão… de ser e viver … e ter e ser… porque não?

Feliz!

E então?

A vida, o tempo, o instante, a emoção contagiante de… já não são…

vão…

para além da expressão e vivência da emoção…

sem saber se são ou não a reconciliação do ser com o estar… em ebulição…!


03.09.2020

quarta-feira, 20 de junho de 2018

os mortos e os fósforos



 Há 50 anos, o jornalista e poeta Pedro Alvim escreveu:
“Era ao cair da tarde – e havia mortos. Todos muito juntos, enlameados, compridos. Alinhados, distanciados para sempre, ali aguardando o arrumo definitivo. Ali, ali no cimento frio de um quartel de bombeiros, no fim de um domingo de Inverno. Eu estava ao telefone, um telefone de moedas de cinco tostões, a dar para o jornal o número de mortos, os seus nomes, as suas idades. Ia escurecendo, escurecendo, e eu já não via os nomes escritos à pressa, abreviados, secos.

Um bombeiro, uma pilha nas mãos, tentava auxiliar a minha leitura, uma leitura triste, sincopada, hesitante de quando em quando. Eu sabia que tinha os mortos todos atrás de mim, indiferentes, quietos, não se importando absolutamente nada que lhes trocasse os nomes. Mas eu não queria cometer o mínimo erro, o mais pequeno deslize.

“Se tu és João” – dizia para mim – “és João. E se o teu nome é Mário, o teu nome será Mário. E caso te chames Rosa, não te chamarei Lucília.”

E teimava, teimava em ser exacto, pedia, pedia ao bombeiro que mantivesse o foco da pilha sobre o papel em que tinha escrito os nomes dos mortos. E carregava nas moedas de cinco tostões, mantinha a ligação telefónica, identificava-os um a um.

O tempo passava, o tempo passava sem luz eléctrica, e eu estava sempre ali ao telefone, e os familiares dos mortos iam entrando, (que longa bicha!), identificavam os mortos, os nomes dos mortos eram-me dados, e eu dava os nomes dos mortos ao jornal. Ouvia o choro dos vivos, ouvia o silêncio dos cadáveres, ouvia a noite lá fora – Depressa! Depressa! – diziam-me do jornal – Depressa que é para a terceira edição!

Iam-me faltando as moedas de cinco tostões, sentia-me aflito, pedia que me trocassem moedas de cinco, dez escudos. E os nomes dos mortos continuavam na minha boca, lidos um a um, o mais exactamente possível.

Como um preito de homenagem. Como um choro.

Chegavam aos meus ouvidos pormenores da tragédia, da chuva, da lama. Eu carregava nas moedas de cinco tostões, afligia-me com o seu desaparecimento contínuo e, automatizado já, ia lendo os nomes dos mortos à luz da pilha.

Escuridão total.

– Acabou-se a carga! – disse o bombeiro.

O suor tomou-me o corpo todo – e os meus dedos amarfanhavam o papel com os nomes dos mortos ainda não transmitidos.

E agora? E agora? Agora que a pilha tinha dado de si – que fazer?

– Acendam fósforos! – gritei – Estes fósforos!

E assim foi: à chama tremida do enxofre, dos fósforos, acesos um a um, fui lendo o nome dos mortos que restavam, que estavam ainda no papel, sem o mais pequeno deslize.

“Se tu és João” – dizia para mim – “és João. E se o teu nome é Mário, o teu nome será Mário. E caso te chames Rosa, não te chamarei Lucília“.

Quando, finalmente, abandonei o telefone, ganhei a rua, respirei a noite, apeteceu-me loucamente um cigarro, um cigarro que me turvasse, um cigarro para esquecer aquilo tudo. Meti, os pulmões ansiosos, um cigarro na boca – mas não pude, não pude fumar, não pude acender o cigarro: os mortos tinham queimado todos os meus fósforos”.

domingo, 18 de março de 2018

Paradoxum



No final de um período pessoal muito especial, voltamos aos sentimentos antagónicos.
Seguramente que nas nossas memórias de infância, onde o tempo nos dizia para esperar, guardamos momentos vividos em que o desejo de ficar se digladiava com a vontade de ir para regressar...

Estas contradições emocionais talvez traduzam em parte a enorme complexidade da mente humana… num desafio permanente e ambivalente de viver e sentir o presente, nostálgico com o passado e ansioso pelo futuro.

Por paradoxal que possa parece, quantas vezes não vivemos igualmente, a felicidade antecipatória de uma ocasião, e a melancolia de, estando ainda a vive-la, sabermos que é tão, mas tão efémera…? quantas vezes não abdicamos de viver um presente que já não sendo passado ainda não é futuro…?

Recordo uma vez mais a frase de um poema de Ricardo Reis: “Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes”. Recordo e de alguma forma adapto para: “vive todo em cada coisa. Vive quanto és no mínimo tempo que tens”…

Aquele tempo que já lá vai, diz-nos hoje que já nem ele pode esperar… na azáfama avassaladora em que vivemos, parece que a própria hora vive já atrasada…

Foi muito bom e estou muito satisfeito… não sabia se seria capaz da forma com
o fui… mas já está…

agora que começa o dia do pai, termina o tempo do pai…

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Completa Perda!

A vida que tão bela é de viver, recorda-nos de tempos a tempos que a finitude pode muito bem ser simplesmente plenitude!
Vai longe o mês de março do ano de 1992. Num tempo em que Coimbra era muito mais longe de Lisboa do que o é hoje, Londres, Paris ou Berlim.
Vivíamos tempos de pós entrada na União Europeia e curiosamente também de pós entrada no Ensino Superior. Os docentes estavam em greve. Estavam todos menos a diretora. Absolutamente solidária com as reivindicações, garantiu a recepção de mais uma turma de alunos, seguramente pela resposanbilidade por ser diretora, mas também, como mais tarde me confidenciou, pelo "direito que os alunos têm de ter aulas". Vivíamos tempos de personalidades com história e com convicções. Vivíamos tempos em que o duradouro era bem mais sublime que o efemero... em que o respeito pelo passado vivido era bem mais relevante que o fugaz presente destorcido ...
Durante 3 anos tive o enorme privilégio de conhecer a pessoa para lá da Diretora/mulher... foram muitos acontecimentos... muitas experiências... tantas aprendizagens...
Para além de aluno da Bissaya Barreto, ter sido desde muito cedo dirigente associativo e membro da Comissão de Gestão (naquele tempo a Comissão de Gestão da escola era constituída por 5 elementos:  a diretora por inerência, e 4 eleitos de entre os pares, um docente, um funcionário e dois estudantes) permiti-me trabalhar bem de perto com a Sr.a Enfermeira Delmina do Anjos Moreira.
Rigor, Frontalidade, Exigência, Justiça e Altruísmo. Tão simples mas tão difícil...
Mas a perda de hoje, como que encerra um ciclo.
Em mais de 25 anos de atividade profissional, cruzei-me com pessoas boas/más, fascinantes/dispensáveis, memoráveis/indiferentes... mas desta geração, que de alguma forma hoje fisicamente se extingue, recordo três pessoas absolutamente inigualáveis ... com as quais, apesar de muito mais novo, tive a honra de trabalhar...
Mariana Diniz de Sousa, Marília Viterbo de Freitas, Delmina dos Anjos Moreira.
Conheci muito bem as diferenças de pensamento entre elas...
Senti de forma marcante o que hoje se apela a "relação intergeracional"...
Percebi e aprendi que a construção do futuro faz-se com a força da diferença de pensamento, e como tal, o mais importante é pensar e deixar pensar ...
Vi como o respeito pelo outro é tão ou mais relevante que o respeito por nós próprios...
Compreendi a dificuldade dos embates, quase sempre longos, mas também o sabor das, mesmo que pequenas, conquistas... e que logo de seguida haverá mais trabalho, mais desafios, é mais exigências!
Estas três Senhoras, cada uma da sua forma, foram e são as minhas principais e mais antigas referências.
Claro que há saudades... claro que há tristeza...
mas a vontade de perpetuar os valores que me ensinaram, transmitindo-os aos outros, terá de ser superlativa!







sábado, 13 de janeiro de 2018

democrata, social e republicano

Não tenho filiação partidária mas tenho posição política.
Sinto-me um democrata, social e republicano, que acredita numa sociedade plural, em que as leis de mercado só serão equitativamente justas se existir um Estado forte com mais capacidade de regular do que de subsidiar.
Nas eleições internas do PSD teria votado Santana, tal como nas dos PS teria votado Seguro...
Talvez por ter esta 'incapacidade' de acompanhar as maiorias, me mantenho afiliado...



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Eleitos e Eleitores, míopes e amblíopes

De volta à vida real, passada a convulsão frenética da corrida para as autárquicas, poderá fazer sentido revisitarmos "a democracia", mais concretamente o que me parece estar a agudizar-se na sociedade Portuguesa: um crescente desfasamento entre a vida vivida dos eleitores e a vida percebida pelos eleitos.

No dia 9 de outubro de 2017,  coincidindo com a sua saída, o Ministro Alemão das Finanças Wolfgang Schäuble "apontou Portugal como bom exemplo de estabilidade, para a consolidação do Euro" referindo-se ao período de ajustamento (estrangulamento) a que fomos sujeitos...
(https://www.rtp.pt/noticias/economia/ministro-alemao-das-financas-aponta-portugal-como-bom-exemplo-de-estabilidade_v1032459)

Esta consideração (apelidada por alguns como honrosa) de um alto governante Europeu, contrasta com uma outra notícia, de 24 de março de 2016:
"A Direção Geral da Saúde revela que no periodo de crise (2008-2012) se registou a taxa de mortalidade por suicido mais alta, pelo menos desde 1989".
http://observador.pt/2016/03/24/periodo-crise-economica-registou-taxa-suicidio-alta/
(Sugiro leitura integral desta noticia)

E ainda com outra mais recente, de dia 10 de outubro...
Em quatro anos, entre 2013 a 2016, o consumo de embalagens de antidepressivos duplicou em Portugal. 
(https://www.publico.pt/2017/10/10/sociedade/noticia/em-2016-consumimos-30-milhoes-de-embalagens-de-farmacos-para-depressao-e-ansiedade-1788262?BETA=1#)

E em breve lá teremos as eleições europeias...